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O tempo, os afetos e aquilo que permanece: “Três Mulheres Altas” chega a Porto Alegre

Envelhecer talvez seja uma das experiências mais humanas — e também uma das mais delicadas — da vida. Entre lembranças, silêncios, descobertas e mudanças, aprendemos a lidar com o tempo de formas diferentes. E a arte, muitas vezes, nos ajuda justamente nisso: olhar para nossas próprias histórias com mais sensibilidade, humor e acolhimento. É com essa mistura de emoção, inteligência e humanidade que o espetáculo Três Mulheres Altas desembarca em Porto Alegre para três apresentações especiais nos dias 5, 6 e 7 de junho, no Teatro Simões Lopes Neto.

Escrita pelo premiado dramaturgo Edward Albee, a peça é considerada um clássico contemporâneo e marca a segunda grande turnê nacional da montagem dirigida por Fernando Philbert. Em seu quinto ano consecutivo em cartaz, o espetáculo já percorreu 26 cidades brasileiras, reuniu mais de 90 mil espectadores e segue emocionando plateias pelo país.

No palco, três grandes atrizes dão vida às personagens criadas por Albee: Ana Rosa, Helena Ranaldi e Fernanda Nobre. As personagens são identificadas apenas pelas letras A, B e C, representando diferentes fases da vida — juventude, maturidade e velhice — em um texto profundamente humano, irônico e sensível.

A personagem mais velha, interpretada por Ana Rosa, já ultrapassou os 90 anos e vive entre memórias embaralhadas, dores, lembranças e reflexões sobre o próprio percurso. Ao seu lado, surgem as figuras de uma cuidadora e de uma jovem advogada, formando um encontro carregado de embates, revelações e questionamentos sobre o tempo, o envelhecimento e aquilo que realmente importa.

“O texto do Albee nos faz refletir sobre ‘qual é a melhor fase da vida?’, além de questões sobre o olhar da juventude para a velhice e, fundamentalmente, sobre o que nós fazemos com o tempo que nos resta. Apesar dos temas profundos, a peça é uma comédia em que rimos de nós mesmos”, analisa o diretor Fernando Philbert.

Com tradução de Gustavo Pinheiro e produção da Arte Estúdio Entretenimento, de Bruna Dornellas e Wesley Telles, a montagem atualiza o olhar sobre questões femininas e sociais presentes no texto original escrito nos anos 1990. Temas como machismo, desejo, casamento, pressões sociais e relações afetivas atravessam a narrativa de forma surpreendentemente atual.

E talvez seja justamente essa permanência do humano que faz de Três Mulheres Altas uma peça tão potente. Porque, no fundo, todos nós seguimos tentando compreender nossas próprias fases, nossas escolhas e as marcas que o tempo deixa — no corpo, na memória e nos afetos.

Premiado com o Prêmio Pulitzer, o texto de Edward Albee também carrega elementos autobiográficos. Escrita pouco depois da morte de sua mãe adotiva, a obra revisita, com sarcasmo e profundidade emocional, as hipocrisias sociais, os conflitos familiares e as fragilidades humanas que atravessam diferentes gerações.

O espetáculo integra o Circuito Cultural da Bradesco Seguros, iniciativa que há anos incentiva projetos culturais em diversas regiões do país.

Entre risos ácidos, memórias fragmentadas e diálogos intensos, Três Mulheres Altas convida o público a olhar para a vida com mais honestidade — e talvez também com mais ternura. Porque envelhecer não é apenas sobre o tempo que passa. É, sobretudo, sobre aquilo que permanece dentro da gente.

Serviço

Três Mulheres Altas
📍 Teatro Simões Lopes Neto
📅 5, 6 e 7 de junho de 2026
🎭 Direção: Fernando Philbert
✨ Elenco: Ana Rosa, Helena Ranaldi e Fernanda Nobre

Fonte: Silvia Abreu Foto: Pino Gomes

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