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“Domingo no Parque” transforma um clássico da Tropicália em uma história de amor, capoeira, resistência e cultura negra

Há experiências que nos convidam a sair da rotina e olhar para a vida por outros ângulos. O teatro é uma delas. Em julho, Porto Alegre recebe um espetáculo que mistura música, memória, cultura e emoção para contar uma história marcada por amor, amizade e resistência. O musical negro “Domingo no Parque”, livremente inspirado na premiada canção de Gilberto Gil, será apresentado nos dias 25 e 26 de julho, no Teatro FIERGS.

Com texto e direção de Alexandre Reinecke e direção musical de Bem Gil, filho do compositor, o espetáculo transforma em cena um dos grandes clássicos da música brasileira. A apresentação ocorre no sábado, às 20h, e no domingo, às 18h. A venda online de ingressos já está aberta. Selecionado pelo edital Petrobras Cultural, com patrocínio da Petrobras por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, o musical propõe uma imersão na cultura negra brasileira a partir da capoeira, da música e das relações humanas.

Uma história que nasceu há 30 anos

A ideia de transformar “Domingo no Parque” em um musical acompanha Alexandre Reinecke há três décadas. Apaixonado por capoeira desde a adolescência, o diretor começou a desenvolver o projeto em 1995, quando ainda não havia dirigido uma peça sequer.

“Comecei a praticar capoeira com 14 anos. Pouco tempo depois comecei a fazer teatro e, assim que ouvi a música, pensei em um musical de capoeira”, conta Reinecke.

Para levar a história adiante, ele precisava do aval de Gilberto Gil. A aproximação aconteceu por meio do produtor Rodolpho Stroeter. O próprio Gil telefonou para Reinecke e autorizou a continuidade do projeto. De lá para cá, muita coisa mudou. Reinecke tornou-se diretor e já encenou 59 peças. “Domingo no Parque” é a sua 60ª montagem.

“O país mudou e este é o momento”, afirma o diretor.

Entre a capoeira, o amor e a resistência

A trama se passa em Salvador, no início dos anos 1970, tendo como pano de fundo a repressão e a violência da Ditadura Civil-Militar. No bairro da Ribeira, João, José e um grupo de amigos se reúnem todas as tardes para jogar capoeira. É na roda que a amizade, a descontração e a alegria encontram espaço em meio a um período marcado pela opressão.

A relação entre João e José, no entanto, começa a se transformar quando José leva o amigo para assistir a um show de Juliana, sua amada. A cantora já havia vivido um romance intenso com João no passado, mas os dois se afastaram depois que ele engravidou a jovem Juci. Enquanto Juliana segue o sonho de cantar nos bares de Salvador, também passa a se envolver com movimentos de resistência à ditadura e entra no radar dos militares.

A partir daí, o musical costura drama, humor, romance e suspense em uma história que culmina em uma grande roda de capoeira ao som do clássico de Gilberto Gil.

Uma trilha sonora que atravessa gerações

A música é um dos grandes fios condutores da narrativa. Ao todo, o espetáculo reúne 20 canções, incluindo dez composições de Gilberto Gil e três músicas inéditas criadas especialmente para o musical, com letras de Alexandre Reinecke e melodias de Bem Gil. O repertório também passeia por obras de Carlos Lyra, Dominguinhos e Anastácia, Dorival Caymmi, Jorge Ben Jor, Chico Buarque, Tom Jobim e Jackson do Pandeiro.

Mais do que contar uma história, “Domingo no Parque” destaca a presença e a influência negra na formação da cultura e da sociedade brasileiras. Danças, religiosidade, música, vestimentas, alimentação e capoeira aparecem integrados à dramaturgia e à estética do espetáculo.  A montagem tem aprovação do próprio Gilberto Gil e chega a Porto Alegre como um convite para revisitar um clássico da música brasileira — agora sob a força do teatro, da cultura negra e de uma história que continua dialogando com o nosso tempo.

Serviço

Musical “Domingo no Parque”

Quando: 25 e 26 de julho
Sábado: 20h
Domingo: 18h
Onde: Teatro FIERGS – Porto Alegre
Ingressos: venda online antecipada aberta

Texto e direção: Alexandre Reinecke
Direção musical: Bem Gil

Elenco: Ananza Macedo (Mãe Preta), Badu Morais (Juci), Rebeca Jamir (Juliana), Jean Amorim (João), Wesley Guimarães (Jozé), Anastácia Lia, Denise Fersan, Fernando Rubro, Jack Mandinga, Mestre Tyson, Renée Natan, Sangela Nunes e Will Anderson.

Direção de arte e figurinos: Billy Castilho
Cenografia: Marco Lima
Iluminação: Cesar Pivetti
Direção de produção: Morena Carvalho
Coordenação de produção: Edinho Rodrigues

Realização: Reinecke Produções e Brancalyone Produções

Fonte: Eduardo Elias Foto: divulgação

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