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Entre memória e resistência: “Axêro” retorna a Porto Alegre para emocionar e provocar reflexões

A arte tem um poder raro de nos atravessar por dentro. Em alguns momentos, ela acolhe. Em outros, provoca. E, muitas vezes, faz as duas coisas ao mesmo tempo. Em um mundo que ainda carrega tantas desigualdades e dores silenciosas, experiências culturais que despertam consciência, pertencimento e humanidade também se tornam caminhos possíveis de bem viver. É nesse encontro entre memória, ancestralidade e transformação que o espetáculo Axêro retorna a Porto Alegre para uma nova temporada entre os dias 15 e 17 de maio, no Teatro Carlos Carvalho.

Criado pelo Grupo Tatá, de Pelotas, o espetáculo ocupa o palco da Casa de Cultura Mario Quintana com sessões na sexta e no sábado, às 20h, e no domingo, às 19h. No sábado, a apresentação contará com tradução em Libras, ampliando o acesso e reforçando o caráter inclusivo da montagem.

Dirigido por Maria Falkembach, com texto de Gessi Könzgen e atuação de Gessi e Jão Cruz, Axêro se constrói como um ritual poético que mobiliza ancestralidades negras e revisita histórias muitas vezes apagadas ou silenciadas. A partir de corpos negros em cena, o espetáculo transforma memória em presença viva, atravessando o público com delicadeza, força e denúncia.

Mais do que um espetáculo teatral, Axêro também se tornou um movimento de escuta, encontro e circulação de saberes. Em 2022, ganhou adaptação audiovisual com Axêro – o filme e, ao longo de 2025, percorreu comunidades quilombolas do Sul do Brasil, fortalecendo vínculos entre arte, território e pertencimento.

Fundado dentro da Universidade Federal de Pelotas, o Grupo Tatá construiu sua trajetória através de criações autorais conectadas às questões sociais contemporâneas. Entre os trabalhos já apresentados pelo coletivo estão Tatá Dança Simões (2010), Terra de Muitos Chegares (2013) e Quando Você me Toca (2018).

A nova passagem por Porto Alegre também marca outro importante desdobramento do projeto: o lançamento do e-book Axêro: práticas antirracistas na cena e na educação. O encontro acontece no dia 17 de maio, às 17h30min, no Quintana’s Bar, reunindo os autores Maria Falkembach, Sarah Leão, Cleyce Colins, Gessi Könzgen e Jão Cruz em uma conversa aberta ao público.

Disponível gratuitamente no site da Editora ANDA, a publicação propõe reflexões sobre práticas artísticas e pedagógicas antirracistas, ampliando a potência do espetáculo para além do palco.

Em tempos em que falar sobre respeito, memória e igualdade segue sendo urgente, Axêro lembra que a arte também pode ser um espaço de cura coletiva. Um lugar onde a história ganha voz, o afeto encontra resistência e o encontro entre pessoas se transforma em possibilidade de mudança.

Fonte: Silvia Abreu Foto: Luis Fabiano

 

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