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Exposições no MAC RS conectam fotografia e gravura ao mercado acessível de arte

Cuidar do bem-estar também passa por aquilo que a gente escolhe olhar todos os dias. Uma obra de arte pode ser mais do que estética — ela pode provocar silêncio, reflexão, memória e até afeto. É nesse território delicado entre contemplar e se envolver que o Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul convida o público para uma experiência que vai além da visita: um mergulho possível e acessível no universo do colecionismo.

A partir deste sábado, duas exposições ocupam a sede do museu, na icônica Casa de Cultura Mario Quintana, propondo um diálogo sensível entre fotografia, gravura e o gesto — muitas vezes visto como distante — de adquirir arte. As mostras “Falando em elefantes desiguais: diálogos entre o Clube do Colecionador Contemporâneo e o MAC RS” e “A Prova do Artista – Coleção de Gravuras do Museu do Trabalho” ampliam o olhar sobre o fazer artístico e aproximam o público de uma ideia importante: colecionar também pode ser um ato de pertencimento cultural.

Arte que se aproxima

Na exposição “Falando em elefantes desiguais”, o visitante encontra um recorte da 4ª edição do Clube do Colecionador Contemporâneo (3C), iniciativa da Associação de Amigos do MAC RS que, desde 2022, busca justamente quebrar a ideia de que arte é algo inalcançável. Com curadoria da artista e referência na arte contemporânea Vera Chaves Barcellos, a mostra reúne trabalhos de nomes como Begoña Egurbide, Marina Camargo, Leopoldo Plentz e Clóvis Dariano.

Dedicada exclusivamente à fotografia, a exposição propõe um encontro entre obras disponíveis para aquisição e trabalhos desses mesmos artistas que já integram o acervo do museu. É um diálogo direto entre o desejo e a permanência: aquilo que pode ser levado para casa e aquilo que já foi incorporado à memória institucional.

Mais do que incentivar a compra, o Clube 3C oferece um novo jeito de se relacionar com a arte — com valores mais acessíveis e um modelo que contribui para a sustentabilidade do próprio museu. Um dos momentos simbólicos desta edição é a entrada de uma obra de Begoña Egurbide para o acervo do MAC RS, reafirmando o papel do colecionismo como ponte entre o público e as instituições.

O gesto experimental da gravura

Na outra sala, a exposição “A Prova do Artista” revela um universo igualmente potente, mas por vezes menos conhecido do grande público: a gravura. Em parceria com o Museu do Trabalho, a mostra apresenta um recorte da coleção gráfica construída ao longo de mais de três décadas do Consórcio de Gravuras e Fotografias.

Ali, técnicas como litografia, serigrafia, xilogravura e gravura em metal ganham protagonismo — não apenas como processos técnicos, mas como linguagem de experimentação. O consórcio, criado por artistas do grupo Oficina 11 e incorporado ao Museu do Trabalho em 1995, convida criadores de diferentes trajetórias a explorar a potência gráfica, resultando em obras que transitam entre o rigor e a liberdade.

O modelo associativo do projeto, inspirado nos clubes de gravura latino-americanos, também reforça a ideia de acesso. Ao longo dos anos, participantes recebem obras periodicamente, criando uma relação contínua com a arte — quase como quem cultiva um jardim sensível dentro de casa.

Arte como conexão

A realização da exposição no MAC RS também carrega um gesto de cuidado e colaboração. O Museu do Trabalho, parceiro da mostra, permanece fechado desde as enchentes de maio de 2024. Trazer parte de seu acervo para outro espaço é uma forma de manter viva a circulação dessas obras e fortalecer os vínculos entre instituições culturais.

Como destaca a diretora do MAC RS, Adriana Boff, o colecionismo pode ser também uma forma de apoiar o ecossistema artístico:

“Além do acesso à arte, colecionar também é uma forma de colaborar com o fomento cultural e o trabalho das instituições.”

Essa perspectiva amplia o sentido da experiência. Não se trata apenas de consumir arte, mas de fazer parte de um ciclo que envolve criação, preservação e continuidade.

Conversar também é parte da experiência

No mesmo dia da abertura, o público também poderá participar do programa educativo “Conversas de Casa”, uma proposta que reforça o papel do museu como espaço de troca. Mais do que observar, a ideia é dialogar — sobre as obras, sobre o mercado, sobre as sensações que surgem diante de cada imagem.

Em tempos em que tudo passa rápido demais, parar para conversar sobre arte pode ser um pequeno gesto de reconexão.

Um convite possível

Talvez o maior mérito dessas exposições esteja justamente em suavizar fronteiras. Entre artista e público. Entre museu e casa. Entre contemplar e possuir. Ao apresentar caminhos acessíveis para o colecionismo, o MAC RS não apenas democratiza o acesso à arte — ele convida cada visitante a perceber que a relação com uma obra pode continuar depois da visita.

E, no fim das contas, isso também é sobre bem viver: escolher o que nos acompanha, o que nos inspira e o que faz sentido manter por perto.


Serviço

Exposições:
“Falando em elefantes desiguais: diálogos entre o Clube do Colecionador Contemporâneo e o MAC RS”
“A Prova do Artista – Coleção de Gravuras do Museu do Trabalho”

Abertura: sábado (25/04), às 11h
Local: Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico)

Períodos:

  • “Falando em elefantes desiguais”: de 25 de abril a 5 de julho de 2026
  • “A Prova do Artista”: de 25 de abril a 14 de junho de 2026

Visitação: terça a domingo, das 10h às 19h

Fonte: Dixon Comunicação Foto: Expo Colecionadores Artista Clóvis Dariano

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