Cuidar do mundo em que vivemos também é uma forma de cuidar da gente. Em tempos em que o excesso, o descarte e a pressa parecem dominar a rotina, iniciativas que ressignificam o que seria lixo nos convidam a respirar diferente — com mais consciência, propósito e conexão. É nesse território do bem viver que histórias como a do Instituto Justiça encontram sentido: ao transformar resíduos em renda, a instituição mostra que é possível alinhar impacto ambiental, dignidade e novas oportunidades de vida.
Durante o South Summit Brazil 2026, o Instituto Justiça apresentou uma atuação que conversa diretamente com o tema desta edição, “Human by Design”. Mais do que uma tendência, a proposta de colocar as pessoas no centro da inovação já faz parte do DNA da instituição — e ganha forma concreta em projetos que olham para o coletivo com sensibilidade e ação.
Um desses projetos é o Recria-se, iniciativa que nasce de um contexto delicado, mas que floresce como resposta potente. Após as enchentes que marcaram o Rio Grande do Sul em 2024, o acúmulo de roupas e resíduos têxteis trouxe à tona um problema ambiental urgente. Mas foi justamente desse cenário que surgiu uma solução: transformar o que seria descartado em novos produtos, gerando renda e oportunidades para mulheres em situação de vulnerabilidade.
No evento, as sacolas produzidas pelo Recria-se circularam por diferentes espaços e públicos, carregando não apenas objetos, mas histórias. Elas também chegaram à Restinga, em Porto Alegre, onde mulheres da comunidade participaram de atividades ligadas à programação e receberam os produtos. Mais do que um gesto pontual, a ação abre caminhos: amplia o alcance do projeto e convida novas protagonistas a fazerem parte dessa rede de transformação.
A iniciativa contou com a parceria do Ministério Público do Rio Grande do Sul, que distribuiu as sacolas por meio do Balcão de Oportunidades. Essa presença reforça algo essencial: quando diferentes atores se conectam, o impacto se multiplica. Inovação, cidadania e inclusão deixam de ser conceitos distantes e passam a acontecer na prática, no cotidiano das pessoas.
“A gente viu um problema ambiental, com o acúmulo de resíduos têxteis, e transformou isso em uma solução que gera renda e coloca as pessoas no centro”, destaca Glenda Passuello, gerente executiva do Instituto Justiça.
Mais do que marcar presença em um dos principais eventos de inovação da América Latina, o Instituto Justiça levou ao South Summit uma mensagem que ecoa além dos palcos: grandes transformações não nascem apenas de grandes ideias, mas da capacidade de olhar para a realidade com empatia e agir com propósito.
O Recria-se é, no fim das contas, um convite. Um convite para repensar o consumo, valorizar o fazer manual, fortalecer comunidades e, principalmente, lembrar que o bem viver também passa por construir um mundo onde mais pessoas tenham espaço, renda e dignidade. Porque, quando colocamos o humano no centro, todo o resto encontra seu lugar.
Fonte: Carmen Carlet Foto: Nelci Guadaguin
