Skip links

Espetáculo gaúcho leva ao palco um olhar poético e urgente sobre a violência contra as mulheres

Em tempos em que o mundo pede mais escuta, acolhimento e coragem para olhar de frente para as dores da sociedade, a arte segue sendo um espaço potente de reflexão e transformação. É nesse encontro entre sensibilidade, denúncia e poesia que nasce Hipólito – tudo vai desmoronar com o peso da chuva, montagem que retorna aos palcos de Porto Alegre para uma nova temporada de apresentações entre os dias 29 de maio e 3 de junho.

Com direção de Carla Cassapo e dramaturgia de Raquel Zepka, o espetáculo será apresentado no Teatro Oficina Olga Reverbel e no CHC Santa Casa, com sessões gratuitas, recursos de acessibilidade, bate-papos e oficina.

Considerada uma das produções mais impactantes da cena teatral gaúcha recente, a peça mergulha em um tema urgente: a violência de gênero e o feminicídio. A dramaturgia surgiu a partir da pesquisa de mestrado de Raquel Zepka em Artes Cênicas pela UFRGS, construída com base em entrevistas com sobreviventes, familiares e profissionais da área, além de documentos e reportagens sobre feminicídio.

No palco, a narrativa acompanha mulheres que tentam escapar da cidade fictícia de Hipólito durante a noite da chamada Lua Vermelha. Em meio à fuga, elas atravessam estradas escuras, matas fechadas e fronteiras simbólicas entre medo, resistência e sobrevivência. O espetáculo utiliza uma linguagem poética e alegórica para abordar uma realidade profundamente dolorosa, mas ainda tão presente na sociedade brasileira.

Outro elemento marcante da montagem é a escolha de não dar nomes às personagens, simbolizando a forma como a violência de gênero atravessa inúmeras histórias femininas. Ainda assim, cada mulher carrega voz, força e presença únicas, ampliadas pelo encontro coletivo em cena.

“O espetáculo acontece entre tudo aquilo que já ouvimos sobre mulheres que desaparecem e aquilo que muitas vezes escolhemos não enxergar para conseguir seguir vivendo”, afirma Raquel Zepka.

O elenco reúne nomes importantes da cena artística gaúcha, como Carol Martins, Juçara Gaspar, Maya Marqz, Negra Jaque, além da própria Raquel Zepka, entre outras artistas.

Além das apresentações, a temporada contará com bate-papos após algumas sessões, ampliando a reflexão sobre violência contra as mulheres, direitos humanos e acolhimento. Também haverá recursos de audiodescrição e intérprete de Libras, reforçando o compromisso da produção com a acessibilidade.

O título do espetáculo é uma homenagem a Thaís Hipólito, sobrevivente de tentativa de feminicídio cujo caso teve repercussão nacional.

Serviço

Hipólito – tudo vai desmoronar com o peso da chuva

No Teatro Oficina Olga Reverbel
Teatro Oficina Olga Reverbel — Rua Riachuelo, 1089

Datas:
29 de maio, às 16h e 19h
30 e 31 de maio, às 19h

Ingressos gratuitos: retirados uma hora antes na bilheteria.

Sessões acessíveis:

  • 29 de maio, às 19h: audiodescrição
  • 30 de maio, às 19h: intérprete de Libras

Bate-papos após as apresentações:

  • 29 de maio: participação da cineasta Mirela Kruel e integrantes do Observatório de Feminicídios Lupa Feminista
  • 30 de maio: participação da Promotora Legal Popular Gislaine Lopes de Moraes

No CHC Santa Casa

CHC Santa Casa — Avenida Independência, 75

Data: 3 de junho
Sessões: 15h e 20h

Ingressos gratuitos:
Sympla CHC Santa Casa

Foto: Bebê Baumgarten Foto: Adriana Marchiori – Carol Martins

Ver+
Conhecer