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Entre humor e reflexão, pai e filha transformam ataques de etarismo em manifesto sobre respeito e diversidade

O que começou como uma divertida inscrição para um reality de criação de conteúdo acabou abrindo espaço para uma conversa importante sobre preconceito geracional. O jornalista, criador de conteúdo e maior colecionador de bonecos Ken do mundo, Bernardo Guedes, recebeu ataques de etarismo nas redes sociais após anunciar sua participação, ao lado da filha, a influenciadora Isadora Guedes (Isinha), na seleção para a nova temporada do Corrida das Blogueiras 8, da Dia TV e Diva Depressão.

Comentários afirmando que ele “não teria idade” ou “perfil” para participar do programa motivaram uma resposta diferente. Em vez de alimentar a hostilidade, Bernardo decidiu transformar a situação em criatividade, usando o humor para questionar um preconceito que ainda afeta milhares de pessoas dentro e fora da internet.

De “Jurássico” a “Gen Z”: um ensaio fotográfico para provocar reflexão

Como forma de responder às críticas, Bernardo e Isinha protagonizaram um ensaio fotográfico assinado pelo Studio Realce Digital, com figurinos da Ratimbum Fantasias, inspirado em uma das cenas mais marcantes do filme Barbie (2023).

Nas imagens, pai e filha aparecem vestidos com roupas listradas de presidiários e segurando placas de identificação. Enquanto Isadora exibe a inscrição “GEN Z”, em referência ao ano de seu nascimento, Bernardo sorri segurando uma placa com a palavra “JURÁSSICO”, brincando com os comentários que recebeu por ter nascido em 1977.

A proposta vai além da sátira. O ensaio convida o público a refletir sobre como a criatividade, a comunicação e a produção de conteúdo podem — e devem — reunir diferentes gerações, mostrando que experiência e inovação caminham lado a lado.

O etarismo não é apenas uma piada

Apesar do tom leve escolhido para responder aos ataques, Bernardo faz questão de destacar que o tema merece atenção. O etarismo, preconceito baseado na idade, impacta a autoestima, as relações sociais e também as oportunidades profissionais de muitas pessoas.

Embora a legislação brasileira trate de forma específica a discriminação contra pessoas idosas, o preconceito enfrentado por quem está na faixa dos 40 e 50 anos também faz parte da realidade, especialmente no mercado de trabalho e nas redes sociais.

“Eu decidi não registrar um Boletim de Ocorrência ou levar o caso formalmente à polícia por não me enquadrar legalmente como idoso perante a lei aos 48 anos. Mas o preconceito existe, machuca e é real. Fui julgado e condenado por pessoas que acham que a maturidade invalida a capacidade de inovar. É preciso que a sociedade entenda que o etarismo é, sim, uma agressão séria, e que a internet não pode ser um território sem leis para validar esse tipo de hostilidade”, afirma Bernardo.

Com uma trajetória consolidada na comunicação, participação na organização de grandes eventos e atuação em projetos sociais, Bernardo acredita que envelhecer deveria ser visto como um acúmulo de vivências, e não como um limite para novos desafios.

“Quero deixar o meu legado.”

A discussão também provoca uma reflexão sobre o universo do entretenimento e da criação de conteúdo digital. Afinal, existe espaço para diferentes gerações ocuparem os mesmos ambientes, aprenderem umas com as outras e criarem juntas?

No caso de Bernardo e Isinha, a resposta parece estar justamente na parceria entre pai e filha: uma combinação de experiência, autenticidade, leveza e disposição para mostrar que boas histórias não têm prazo de validade.

Fonte: Bernardo Guedes Crédito das fotos: Studio Realce Digital Looks: Ratimbum Fantasias

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