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Esperança que floresce: Ação Humanitária da Aldeias Infantis SOS completa seis meses no RS

Quando a vida nos coloca diante de grandes desafios, encontrar uma rede de apoio faz toda a diferença no caminho para o recomeço. Cuidar do nosso bem-estar emocional e da segurança daqueles que amamos passa, muitas vezes, por ter um espaço de acolhimento, onde somos vistos e respeitados em nossa individualidade. É isso que a Ação Humanitária Juntos pelo RS, da Aldeias Infantis SOS, vem oferecendo a centenas de famílias no Rio Grande do Sul, seis meses após as enchentes que afetaram o estado.

Desde o desastre de 2024, a iniciativa já beneficiou mais de 18 mil pessoas com apoio emergencial e contínuo. Na primeira fase, foram entregues mais de 105 toneladas de suprimentos — colchões, alimentos, produtos de higiene e limpeza — ajudando famílias a reconstruir o dia a dia em meio ao caos.

Hoje, a ação caminha em uma etapa estruturada de cuidado. Desde novembro, cerca de 240 famílias das comunidades Asa Branca e Fazendinha, no bairro Sarandi, em Porto Alegre, recebem acompanhamento psicossocial e participam de atividades educativas. No total, mais de 900 pessoas estão sendo atendidas, com foco no fortalecimento familiar e no bem-estar integral.

Um dos rostos dessa jornada de superação é Ana Luiza Dutra Campos, mãe de três meninos — Pietro, de 14 anos, Arthur, de 11, e Thiago, de 2. A história de Ana com a Aldeias Infantis SOS começou quando ela própria era adolescente e precisou de acolhimento. Agora, após as enchentes, voltou a encontrar ali o apoio necessário para reerguer sua família.

Dois de seus filhos são autistas e não estavam matriculados no ensino formal. Sem rede de apoio, Ana não conseguia trabalhar. Graças a um mutirão promovido pela organização em parceria com a Defensoria Pública do Estado, a família obteve acesso à Justiça e, com uma ação judicial, conquistou a matrícula das crianças.

“Eu precisava trabalhar, mas não conseguia porque não tinha com quem deixar meus filhos. Cheguei muito desacreditada. Mas ali eu fui me reconstruindo. Me olharam como pessoa, não só como uma mãe que precisava de ajuda”, relata Ana.

Com os filhos na escola, Ana conseguiu aceitar uma vaga de emprego formal. E mais do que isso: passou a frequentar oficinas, receber doações e trocar experiências em encontros com outras mães da comunidade.

“O que fazem aqui é mais do que doar. É sustentar a esperança das famílias”, afirma.

Cuidar para fortalecer

A atuação da equipe da Aldeias Infantis SOS é baseada em um olhar humanizado. Psicólogos, assistentes sociais, educadores e agentes comunitários trabalham juntos para proteger os direitos de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

“É preciso uma rede para que as famílias consigam se manter unidas. E é isso que estamos fazendo: apoiando emocional e socialmente cada uma delas”, destaca Michéle Mansor, gerente nacional de Desenvolvimento Programático da organização.

Dois Espaços Amigáveis foram implantados para acolher mais de 180 crianças e adolescentes no contraturno escolar. Nesses ambientes seguros, os jovens participam de atividades de cidadania, educação e convivência — enquanto seus responsáveis podem buscar uma fonte de renda com mais tranquilidade.

Além do acompanhamento individualizado, a organização promove visitas domiciliares, rodas de conversa e ações comunitárias. A iniciativa conta com o apoio de doações nacionais e internacionais e parcerias com instituições como a Defensoria Pública, a Habitat Brasil e o ACNUR.

Desafios e esperança

Apesar dos avanços, o caminho para a recuperação plena das comunidades ainda é longo. Questões relacionadas à segurança alimentar, saúde e moradia persistem. É necessário um esforço conjunto, com políticas públicas efetivas em áreas como saneamento, habitação e apoio psicossocial.

“A reestruturação das comunidades exige ações públicas mais amplas. Mas seguimos atuando e fortalecendo essas famílias todos os dias”, afirma Enéas Palmeira, gestor de território da Aldeias Infantis SOS no Rio Grande do Sul.

Em cada história de superação, em cada olhar mais confiante, floresce a esperança de um futuro melhor. E é este o maior presente que uma ação como essa pode oferecer: a certeza de que, mesmo em tempos difíceis, ninguém precisa enfrentar tudo sozinho.

Instagram: @aldeiasinfantisbrasil

Fonte e foto: Maira Gatto

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