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Mulher e coração: o que toda mulher precisa saber

Por Gilberto Lahorgue Nunes, Cardiologista Intervencionista

No Mês da Mulher, o alerta é claro: doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres no mundo. E, diferente do que muitos ainda imaginam, o coração feminino tem particularidades importantes — nos sintomas, na influência hormonal e na prevenção.

Nem sempre o infarto na mulher se manifesta como a clássica dor intensa no peito. Os sintomas podem ser mais sutis: desconforto ou pressão torácica, dor no epigástrio, costas, mandíbula, pescoço ou braço, falta de ar, náuseas, tontura, fadiga súbita e suor frio.

Essa apresentação atípica faz com que muitas mulheres confundam o quadro com ansiedade, estresse ou problema gastrointestinal, atrasando o diagnóstico e atendimento. E, em cardiologia, tempo é músculo: quanto mais rápida a assistência, maior a chance de preservar o coração.

Durante a fase reprodutiva, o estrogênio exerce efeito protetor sobre o sistema cardiovascular, contribuindo para melhor controle do colesterol, maior flexibilidade dos vasos e menor formação de placas nas artérias.

Por isso, antes da menopausa, as mulheres tendem a apresentar menor risco cardiovascular em comparação aos homens da mesma idade. No entanto, essa proteção não é absoluta — fatores como tabagismo, sedentarismo, hipertensão, diabetes, obesidade e estresse anulam esse benefício.

Com a menopausa e a queda do estrogênio, o risco cardiovascular aumenta progressivamente e pode se equiparar ao masculino. A partir dessa fase, a prevenção deve ser prioridade: controlar pressão arterial, colesterol e glicemia, manter peso adequado, praticar atividade física regular, adotar alimentação equilibrada e realizar acompanhamento médico periódico.

A menopausa não é o problema — o risco está em ignorar as mudanças metabólicas que ela provoca.

A mulher costuma cuidar de todos ao seu redor. Mas, quando o assunto é saúde cardiovascular, precisa se colocar no centro da própria agenda. Informação salva vidas. Reconhecer sintomas, entender as mudanças hormonais e investir em prevenção são decisões que fazem diferença no longo prazo.

Porque o coração da mulher tem suas particularidades — e merece atenção especial.

Fonte: Carla de Andrade Foto: Emerson Machado

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