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Depois das águas: festival percorre cidades gaúchas e transforma música em reencontro, memória e esperança

Há momentos em que a arte se torna mais do que entretenimento. Ela vira abraço coletivo, espaço de escuta e uma forma delicada de reconstruir aquilo que as águas levaram. Depois de períodos difíceis, a música costuma surgir como linguagem capaz de reunir histórias, emoções e futuros possíveis. E é exatamente com esse espírito que nasce o Festival da Virada – Depois das Águas, uma iniciativa que une cultura, território e reflexão ambiental em diferentes regiões do Rio Grande do Sul.

Em junho, o projeto inicia sua caminhada por cidades impactadas pelas enchentes de 2024, criando um circuito que convida artistas e público a olharem para o futuro sem deixar de reconhecer a memória e os aprendizados que ficaram pelo caminho.

O lançamento oficial acontece no dia 2 de junho, às 19h, na Casa de Cultura Mario Quintana, na Sala Carlos Carvalho, em Porto Alegre. Entre os nomes já confirmados está a Shana Müller, uma das vozes mais reconhecidas da música regional do Estado.

Realizado pela Caminha Produções Artísticas e pela Pandorga Produtora Cultural, com patrocínio da Petrobras e realização do Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet Emergencial RS, o festival propõe uma jornada artística itinerante, conectando música, experiências humanas e questões ambientais.

As inscrições para artistas interessados em participar das seletivas serão abertas a partir do lançamento e seguem até o dia 16 de junho. Os interessados poderão acessar o formulário pelo site oficial do projeto:

Festival da Virada – Depois das Águas

Música que atravessa territórios

As etapas eliminatórias passarão por cinco cidades gaúchas: Gramado, São Leopoldo, Lajeado, Canoas e Sapucaia do Sul.

A proposta vai além de uma competição musical tradicional. Em cada cidade, o público encontrará uma programação construída para valorizar encontros, trocas e diferentes narrativas. Serão apresentadas 12 músicas por etapa — seis de artistas locais e seis de artistas de outras regiões do Estado — selecionadas por curadoria.

Ao fim de cada noite, duas canções seguem para a grande final e, junto delas, permanece também um tema central: a relação entre as pessoas, o meio ambiente e os desafios que surgem depois de eventos extremos.

Segundo a coordenadora de produção do projeto, Luci Caminha, o festival busca ser um espaço de aproximação entre histórias e territórios:

“O festival se estrutura como um espaço de encontro entre diferentes territórios e experiências, tendo a música como linguagem de reconstrução simbólica. A iniciativa busca dar visibilidade a narrativas que emergem no pós-enchente, promovendo um diálogo sensível entre arte e contexto social.”

Um reencontro marcado para Porto Alegre

A caminhada termina em Porto Alegre, no dia 22 de julho, quando as 15 canções classificadas durante as etapas regionais se encontram para a grande final. Além da premiação, o evento contará com apresentações musicais, encerrando um percurso construído a muitas vozes.

Inserido na Lei Rouanet Emergencial RS — criada para ajudar na recuperação dos impactos das enchentes que atingiram o Estado em 2024 — o projeto também assume um compromisso importante: transformar arte em espaço de reflexão sobre a crise climática e sobre os caminhos possíveis para reconstruir não apenas cidades, mas vínculos e pertencimentos.

Porque, depois das águas, cada reencontro também pode ser um novo começo.

Fonte: Silvia Abreu Foto: A cantora Shana Müller é a primeira atração artística confirmada no Festival da Virada – Depois das Águas. Crédito: Rafa Costa

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