Há gestos que curam e palavras que acolhem. Em tempos em que o diálogo é uma ponte essencial para o bem viver, ver jovens transformando aprendizado em consciência é um alento. Foi com essa energia — de empatia e esperança — que Canela celebrou a segunda edição do Concurso de Redação “Canela no Enfrentamento à Violência Doméstica”, promovido pela Casa Vitória, um espaço que há três anos tem sido sinônimo de proteção, escuta e recomeço.
O vencedor desta edição foi o estudante João Vitor de Vargas, da Escola João Alfredo Corrêa Pinto, autor do texto “Combatendo a Violência”, escolhido por voto popular com 42% das indicações no perfil @casavitoriacanela. Mais do que um prêmio — ele recebeu uma bicicleta —, o reconhecimento simboliza algo maior: a força transformadora da palavra e o poder da educação em quebrar ciclos de violência e inspirar novas atitudes.
“Acreditamos que a educação é uma das mais poderosas ferramentas para romper os ciclos de violência e construir uma sociedade mais justa e segura para todas.”
— Manoela Negrelli, coordenadora da Casa Vitória
Um concurso que ensina empatia
A iniciativa da Casa Vitória envolve escolas municipais, professores e alunos do 6º ano de Canela, que receberam materiais educativos e reflexivos sobre o tema da violência doméstica. Em sala de aula, o conteúdo foi transformado em debate, sensibilidade e, por fim, em redações que ecoam a importância de uma sociedade baseada no respeito.
Os outros dois finalistas também encantaram pela maturidade e sensibilidade de suas palavras: Ana Beatriz Petzinger, autora de “A Violência Doméstica”, e Bernardo Ximenes, com o texto “Enfrentando a Violência”, ambos da Escola Ernesto Dornelles. Eles foram premiados com cestas de presentes, como forma de reconhecimento pela dedicação e comprometimento.
Mais do que um concurso, o projeto é um convite à reflexão — e uma semente plantada na formação de jovens cidadãos conscientes do seu papel no combate à violência e na promoção da cultura da paz.
Educação que transforma
A Casa Vitória é uma das 14 casas-abrigo do Rio Grande do Sul, e sua atuação vai muito além do acolhimento. Criada em 2021, a instituição nasceu do compromisso da cidade de Canela em proteger mulheres e famílias vítimas de violência doméstica. Desde então, já realizou mais de 1.065 atendimentos, impactando diretamente a vida de mulheres e crianças.
Mas o diferencial da Casa está em seu olhar para o futuro. Além de oferecer um espaço seguro e humanizado, ela promove ações educativas e preventivas, fortalecendo o diálogo entre escolas, famílias e comunidade. Essa é uma maneira de evitar que a violência se perpetue entre gerações, criando novas formas de convivência e cuidado.
A cada nova edição do concurso, a equipe da Casa Vitória renova o propósito de mostrar que a transformação começa pelo conhecimento. Ao abrir espaço para que jovens escrevam sobre temas tão relevantes, a instituição ensina algo essencial: a empatia também se aprende — e se cultiva.
Um abrigo feito de palavras e acolhimento
Localizada no coração da Serra Gaúcha, a Casa Vitória se destaca por sua estrutura acolhedora e equipe multidisciplinar composta por profissionais das áreas de psicologia, assistência social e pedagogia. Cada atendimento é uma oportunidade de reconstruir histórias e devolver às mulheres o direito de sonhar, de recomeçar e de viver sem medo.
A instituição é mantida integralmente pela Prefeitura de Canela, o que reforça o compromisso público da cidade com a igualdade e o respeito. Em um tempo em que tantas realidades pedem empatia, a existência de um espaço como esse mostra que políticas públicas podem, sim, gerar bem-estar coletivo e fortalecer laços de solidariedade.
A força das novas gerações
Quando um aluno escreve sobre o combate à violência, ele não apenas se torna parte de uma ação educativa — ele se torna também um agente de transformação. Ao colocar no papel suas percepções e esperanças, esses jovens ajudam a espalhar a consciência de que a paz começa em casa, mas também dentro de cada um de nós.
A cerimônia de entrega dos prêmios foi um momento de celebração e afeto. Professores, colegas e familiares acompanharam os finalistas com orgulho, conscientes de que o maior prêmio não é material, mas simbólico: a certeza de que a educação é o melhor caminho para um futuro mais humano e seguro.
Em meio às homenagens, Manoela Negrelli, coordenadora da Casa Vitória, lembrou que cada redação representa uma voz que se levanta — e uma nova história que pode ser escrita. “Nosso papel é acolher, mas também inspirar. Queremos que as novas gerações cresçam acreditando que respeito e diálogo são os verdadeiros alicerces de uma sociedade melhor.”
Palavras que acolhem, gestos que transformam
O projeto reafirma que o bem viver também passa pelo cuidado coletivo — por espaços onde a escuta, o apoio e a empatia caminham lado a lado. E, em tempos de tanta pressa e distanciamento, iniciativas como essa reacendem a esperança de que é possível educar para o afeto, proteger com palavras e transformar com atitudes.
Em Canela, uma cidade que já é sinônimo de hospitalidade, a Casa Vitória é um símbolo de força e sensibilidade. Um lugar onde a solidariedade se renova a cada gesto, a cada olhar — e agora, também, a cada redação.
Porque, no fim das contas, escrever sobre o que nos toca é uma das formas mais bonitas de cuidar do mundo.
📍 Mais informações: @casavitoriacanela
