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Pão dos Pobres ganha nova sala multissensorial

Há espaços que nos lembram do que realmente importa: o cuidado, o acolhimento e a capacidade de enxergar o outro em sua totalidade. Em meio ao ritmo apressado das cidades, um novo ambiente em Porto Alegre convida a desacelerar e sentir — com o coração, com o corpo, com a alma. A Fundação O Pão dos Pobres, que há 130 anos transforma vidas por meio da educação e da solidariedade, acaba de inaugurar uma sala multissensorial pioneira, pensada especialmente para crianças, adolescentes e jovens neuroatípicos. Mais do que um projeto de arquitetura, o espaço é uma declaração de afeto e esperança.

O ambiente, criado pelo grupo Arquitetos Voluntários, une beleza, propósito e funcionalidade em cada detalhe. Com capacidade para 147 jovens, a nova sala foi projetada para ampliar o acolhimento e transformar o contraturno em um momento de aprendizado vivo e cheio de significado. Localizado junto ao prédio histórico da instituição, no coração da Cidade Baixa, o espaço será inaugurado no dia 24 de outubro de 2025, às 9h, e já desperta encantamento em quem passa por lá.

“Esse é um momento muito importante para o Pão dos Pobres. Que há 130 anos é sinônimo de acolhimento, e agora ganha um espaço que traduz inovação e cuidado. Graças à dedicação dos Arquitetos Voluntários, conseguimos oferecer um ambiente que transforma a vida dos nossos jovens por meio da educação, da arte e da convivência.”, diz João Rocha, gerente da instituição

Um espaço que acolhe com todos os sentidos

Ao entrar na sala, é fácil perceber que tudo ali foi pensado para promover bem-estar e pertencimento. A arquitetura, em vez de apenas abrigar, cuida. As cores, os materiais e a iluminação foram escolhidos com base em princípios da neuroarquitetura, que busca criar ambientes capazes de estimular emoções positivas, concentração e calma.

As atividades propostas também seguem esse olhar integrador. O espaço combina estímulos cognitivos, como reforço escolar e leitura; expressão artística, por meio de teatro, artes plásticas e oficinas criativas; e movimento e saúde, com circuitos motores, práticas de coordenação e atividades de regulação sensorial.

Mais do que um conjunto de práticas, é uma forma de olhar para o desenvolvimento humano de maneira ampla — reconhecendo que aprender e conviver são processos que passam por todo o corpo.

Arquitetura que transforma

As arquitetas Miriam Runge e Maria Eduarda Kopper, responsáveis pelo projeto, falam com brilho nos olhos sobre o poder coletivo da iniciativa.

“Pensamos cada detalhe para que essa sala seja, ao mesmo tempo, acolhedora e estimulante. Nosso objetivo foi criar um espaço que cuide, desperte criatividade e dê novas possibilidades de expressão para os atendidos pelo Pão”, explica Miriam.

Já Maria Eduarda ressalta a emoção de ver o projeto ganhar vida:

“É gratificante ver esse espaço ser apropriado pelos jovens. Essa é a maior recompensa do nosso trabalho voluntário. Produzimos casinhas em formato de casulos para que eles possam se regular emocionalmente, com iluminação adequada. Tudo foi feito com muito carinho e propósito.”

A sala multissensorial é o segundo projeto de acolhimento desenvolvido pelos Arquitetos Voluntários para esse público. O primeiro foi um container sensorial, também idealizado para crianças e jovens neuroatípicos. O novo espaço, porém, amplia o impacto, tornando-se um verdadeiro ponto de encontro entre arquitetura, empatia e transformação social.

Um legado que atravessa gerações

A inauguração da sala faz parte das comemorações dos 130 anos da Fundação O Pão dos Pobres, uma das mais antigas organizações sociais do país. Fundada em 1895, para acolher famílias atingidas pela Revolução Federalista, a instituição hoje atende 1.400 crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social.

São três grandes frentes de atuação: Acolhimento Institucional, Aprendizagem Profissional e Serviço de Convivência e Educação Integral. Mensalmente, são servidas cerca de 57 mil refeições, e 15 cursos profissionalizantes são oferecidos em parceria com empresas, abrindo portas para o futuro de jovens aprendizes.

Mais do que números, o que o Pão dos Pobres entrega todos os dias é dignidade. É a chance de um novo começo, de um olhar gentil, de uma oportunidade para reescrever histórias.

A delicadeza como forma de transformação

O novo espaço não é apenas um projeto de design; é uma metáfora sobre o cuidado. Num tempo em que tantas realidades pedem pressa, o Pão dos Pobres ensina que acolher é também desacelerar, criar ambientes de escuta e convivência, permitir que cada pessoa descubra seu próprio ritmo.

Ali, entre cores suaves, texturas, sons e luzes cuidadosamente planejadas, os jovens encontram um lugar onde podem simplesmente ser — livres de julgamentos, cercados por estímulos que despertam o prazer de aprender e conviver.

Ao final de cada dia, o brilho no olhar das crianças e adolescentes que participam das atividades é o retrato mais bonito desse trabalho coletivo. Um lembrete de que o verdadeiro bem viver se manifesta quando conseguimos tocar o outro com respeito e amor.

Uma ponte entre gerações e sonhos

Em tempos de tantas urgências, o Pão dos Pobres segue lembrando que o essencial não se mede em grandezas, mas em gestos. E que cada projeto, por menor que pareça, pode ser uma semente de futuro.

A sala multissensorial é isso: um convite para perceber o mundo com mais sensibilidade, para olhar as diferenças com empatia e entender que todos — absolutamente todos — têm o direito de viver experiências significativas.

Em uma cidade que pulsa diversidade e histórias, o novo espaço é um refúgio para o coração. E, como tudo o que nasce do afeto, é também uma promessa de continuidade: a de que o bem viver é possível quando o amor e a inclusão caminham juntos.

Fonte: Evidência Press

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