Recentemente, fui convidada por uma universidade a compartilhar minha trajetória profissional com estudantes. Ao preparar os pontos que abordaria na palestra, muitas reflexões vieram à tona e, inspirada por esse momento, resolvi compartilhá-las aqui.
A primeira reflexão que compartilhei com os alunos foi sobre a importância, na jornada de uma carreira, de uma base sólida de conhecimento. A minha foi extremamente consistente: graduação em Farmácia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, seguida por mestrado, doutorado e pós-doutorado na mesma universidade. Essa base abriu as portas para o ensino, a assistência e a prática hospitalar em saúde pública e privada. Por muitos anos, atuei em universidades e hospitais, unindo ciência, cuidado e docência.
No entanto, um momento desafiador marcou minha história: as dificuldades financeiras da última universidade em que atuava como docente levaram ao encerramento de um ciclo.
Foi doloroso, mas também transformador.
Precisava me reinventar. Redesenhei minha carreira e mergulhei na criação de soluções em saúde física e mental dentro de empresas, unindo ciência, gestão e cuidado humano.
Essa transição me ensinou que conexões profissionais são essenciais.
Colegas de graduação, parcerias acadêmicas e redes de relacionamento foram fundamentais para novas oportunidades.
Carrego comigo meu amor pelo Rio Grande do Sul e um carinho especial pelo Rio de Janeiro — cidades que moldaram minha vida pessoal e profissional.
Competências do Futuro: O Profissional que o Mundo Precisa
Se há algo que aprendi, é que conhecimento sólido é o primeiro passo.
Durante a pandemia, vimos como informações falsas podem colocar vidas em risco.
Por isso, estudar com profundidade e em fontes confiáveis é indispensável.
Mas não basta o conhecimento técnico.
Aqui surge minha segunda reflexão: o futuro exige inquietação e movimento. Aprender continuamente sobre inteligência artificial, biologia molecular, bioinformática, epidemiologia, saúde única e tantos outros campos que estão moldando a saúde hoje é essencial.
Idiomas como inglês e espanhol são portas abertas, especialmente no diálogo com a indústria farmacêutica latino-americana.
Uma terceira reflexão é a defesa do protagonismo. Protagonismo é uma escolha.
Ir a eventos, se apresentar a profissionais, exercer liderança estudantil, buscar estágios, cursos e experiências extracurriculares são atitudes que constroem carreiras diferenciadas.
E, claro, não poderia deixar de refletir sobre as soft skills como comunicação, negociação, inteligência emocional e gestão do tempo, que são tão determinantes para profissionais bem-sucedidos quanto a técnica.
Mudanças de Rota: Quando a Carreira se Redesenha
Minha própria trajetória é prova de que mudar faz parte. Ao ser desligada da universidade, transformei a dor em oportunidade: criei consultorias e implementei programas de biossegurança em plena pandemia.
Hoje, voltei à pesquisa acadêmica, com um pós-doutorado voltado às doenças raras — tema que também me atravessa pessoalmente, por vivências familiares com a distrofia de Duchenne.
Foi um retorno carregado de propósito.
Carreiras são assim: dinâmicas, mutáveis, cheias de recomeços.
O que importa é a capacidade de se adaptar e aprender novas habilidades ao longo do caminho.
Planejamento e Fórmula do Sucesso
Não existe fórmula mágica para o sucesso, mas acredito na multiplicação das probabilidades:
- Construir uma base sólida de conhecimento
- Listar e desenvolver competências técnicas e comportamentais
- Executar planos com disciplina e visão de longo prazo
Seja na docência universitária, na indústria farmacêutica ou em áreas emergentes da estética e inovação, o caminho depende de escolhas conscientes e bem planejadas.
Recomendo manter o currículo atualizado, o LinkedIn ativo e uma presença digital coerente, pois o mercado observa e valoriza a imagem profissional.
Para quem sonha em empreender, há ferramentas acessíveis, como as oferecidas pelo Sebrae, que podem ser grandes aliadas.
Conexão Humana e Inspiração Mútua
Uma reflexão surgiu durante a palestra: como é importante inspirar pessoas. Estimulei interações no chat para ouvir sentimentos e expectativas dos participantes. Essa troca enriquece, garante que a mensagem chegue de forma clara e estimula conexões verdadeiras.
Recebi perguntas práticas sobre ingresso em farmácia hospitalar e outras áreas, e respondi com dicas aplicáveis.
Foi emocionante sentir o retorno: muitos expressaram motivação, gratidão e entusiasmo.
Criatividade, Coragem e Equilíbrio
No encerramento, deixei algumas dicas que considero vitais:
- Exercícios de respiração para lidar com a ansiedade diante das decisões profissionais
- Criatividade como ferramenta de comunicação, explorando podcasts, teatro e música para fortalecer a expressão técnica
- Coragem para enfrentar desafios mesmo com medo, porque o medo é parte do crescimento
Reforcei também que estamos juntos nessa jornada: estudantes, profissionais e mentores, todos em apoio mútuo.
Conclusão
Minha conclusão ao refletir sobre minha trajetória é que minha carreira é feita de ciência, quedas e recomeços, mas, sobretudo, de aprendizado contínuo e coragem para seguir.
O que levo e transmito é a convicção de que cada profissional pode — e deve — ser protagonista da própria história, com ética, inquietação e humanidade.
O futuro não é apenas sobre tecnologia ou ciência, mas sobre pessoas capazes de aprender, se adaptar e transformar o mundo ao seu redor.
Instagram: @lucienescherer
