Existe algo profundamente restaurador em caminhar. O simples ato de colocar um pé à frente do outro, sentir o ritmo do próprio corpo e respirar o ar fresco nos convida a um estado de presença e bem-estar. Quando adicionamos a essa caminhada uma conversa significativa, um espaço seguro para trocar ideias e compartilhar sentimentos, o caminho se torna ainda mais leve e transformador. Essa é a essência da Caminhada Afetiva, conduzida pelo educador físico e terapeuta Luis Lucini. A entrevista completa está no Canal do Youtube do Limonada Zen (Clique aqui).
A proposta de caminhar enquanto se conversa não é nova. Luis explica que a ideia tem bases na história da psiquiatria e da psicanálise, sendo utilizada em cidades como Santos e Porto Alegre nos anos 1990 para atender pessoas que tinham dificuldades em permanecer em espaços fechados. Mas ele também resgata uma inspiração ainda mais antiga: os peripatéticos, seguidores de Aristóteles, que filosofavam caminhando.
Caminhada terapêutica ou terapia?
A caminhada é terapêutica, mas não é uma terapia formal, esclarece Luis. Terapia, no sentido clássico, segue métodos e abordagens estruturadas. Já a caminhada terapêutica é mais livre, adaptável e, acima de tudo, acessível.
“Ouvir música pode ser terapêutico. Caminhar no parque pode ser terapêutico. Caminhar no parque pode ser terapêutico. O que eu proponho é um espaço de acolhimento, uma escuta afetiva enquanto caminhamos”, afirma Luis.
A duração dos encontros é de aproximadamente 60 minutos, mas não existe um tempo exato: a caminhada se adapta às necessidades de quem participa. Algumas pessoas buscam encontros semanais, outras preferem quinzenais ou mensais. Tudo depende do momento e da demanda individual.
Quem procura esse caminho?
O público é diverso: jovens, adultos e idosos que buscam um espaço para organizar pensamentos, aliviar emoções ou simplesmente desfrutar de uma boa conversa. Há também quem precise de companhia para vencer o medo de sair de casa ou para criar o hábito de movimentar o corpo. E há aqueles que sentem falta de algo essencial: um momento de qualidade consigo mesmos.
“Oferecer um pouco de tempo e uma escuta afetiva é tão transformador para quem fala quanto para quem escuta. A pessoa se sente mais leve ao compartilhar, e eu saio fortalecido por saber que estou entregando algo valioso”, diz Luis.
E se chover?
A caminhada é um reflexo da vida: cada dia traz um novo cenário. Se chove, a solução é adaptar. Algumas pessoas preferem remarcar, outras aceitam o convite para um café e uma conversa sob um teto acolhedor.
“Pensar juntos também é traçar novos rumos e caminhos para a vida”, reflete Luis.
E assim, a caminhada afetiva segue seu percurso. Passo a passo, sem pressa. Respeitando o ritmo de cada um e oferecendo um respiro nesse mundo acelerado. Porque, no fim das contas, o importante não é a distância percorrida, mas sim a qualidade do caminho.
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Foto: Duca Cescani